Improvisando encontros

Stone CircleOntem precisei improvisar um encontro combativo, na minha campanha Luz nas Sombras, que jogo via Fantasy Grounds 2. Eu já tinha bolado (durante minhas sessões de acupuntura) a cena, a motivação e a história, mas tinha pouco tempo para preparar as estatísticas e mapa de combate.

O encontro seria contra algum inimigo dos Shadar-Kai que vivem na Shadowfell, já que o grupo está por lá agora. Eu pensei em algo ligado à luz, que não só tem a ver com o tema (e o nome) da campanha, mas também faz um bom contraste com os guerreiros Shadar-Kai. Pensei em um anjo ou elemental. Um anjo seria legal, com resistências e danos radiantes, e vulnerabilidade necrótica, para variar um pouco o tema dos vários mortos-vivos já encontrados.

Eu precisava criar um encontro de nível cinco ou seis. Olhando a lista de criaturas de nível 4 no Monster Manual, os primeiros que me chamaram a atenção foram os humanos magos e bersekers. Ranged + Melee sempre dá um encontro legal, mas porque esses humanos estariam ali? Decidi que eles seriam fanáticos, reverenciando cegamente o inimigo dos Shadar-Kai.

Para o meu anjo, acabei usando o Specter. Pois é, um morto-vivo. Simplesmente troquei os danos e resistências necróticos por radiantes, os nomes dos poderes, o descritor morto-vivo por anjo e voilá! Já tinha mais um espreitador [lurker] para completar o encontro. Para fazer graça, transformei o anjo numa criatura de elite também, acrescentando rapidamente +2 no CA e Vontade, dando +2 em testes de resistência e 1 ponto de ação, e dobrando os pontos de vida.

Ainda precisava de um mapa. O Google é meu amigo, mas ainda mais amigo ainda nessas horas é o fórum Cartographer’s Guild, que tem muitos mapas legais. Resolvi usar o mapa que acompanha esse artigo, o usando como antigas ruínas de um templo desconhecido.  Se você clicar no mapa, pode baixar uma versão em alta-resolução, mas precisa de login (é só fazer uma conta lá no CG). Decidi que aquele ponto de luz na parece sul das ruínas seria um antigo item mágico do anjo, que causa 5 de dano radiante em burst 1, em quem começar o turno ou entrar na área. O anjo é imune, por conta de suas resistências.

O anjo é, na verdade, um antigo exarch que servia a Raven Queen, mas revoltou-se, perdeu grande parte de seus poderes, e começou a vandalizar as tribos dos Shadar-Kai. Ele aprendeu a usar sua luz radiante para causar muito dano e caos nas tribos.

Anjo Caído

Anjo CaídoEspreitador de Elite de Nível 4
Humanóide Médio (Anjo)XP 350
Iniciativa +9Sentidos Percepção +6; visão noturna
Angústia Celestial aura 1; inimigos na aura tem -2 em todas as defesas.
PV 60; Sangrando 30
CA 18; Fortitude 16, Reflexos 16, Vontade 19
Imunidade doença, veneno; Resistência radiante 10, insubstancial; Vulnerabilidade necrótica 10;
Testes de Resistência +2
Deslocamento Voar 6 (Flutua); Fora de Fase
Pontos de Ação 1
:M: Toque celestial (padrão; à vontade) ♦ Radiante
+7 vs. Reflexos; 1d6+2 de dano radiante.
:c: Almas penadas (padrão; recarrega :5: :6: ) ♦ Ilusão, Psíquico
Explosão de Contato 2; só inimigos; +7 vs. Vontade; 2d6+2 de dano psíquico e o alvo é derrubado.
Invasibilidade (menor; à vontade) ♦ Ilusão
O anjo fica invisível até atacar ou ser atingido.
Tendência MalignaIdiomas Primordial
Perícias Furtividade +9
For 10 (+2)Des 15 (+4)Sab 8 (+1)
Con 13 (+3)Int 6 (0)Car 15 (+4)

Encontro de Nível 6 (1.225 XP)

  • 2 Magos Humanos [Human Mage] (Artilharia de Nível 4) – 175 XP cada
  • 3 Bárbaros Humanos [Human Berserker] (Bruto de Nível 4) – 175 XP cada
  • 1 Anjo Caído (Espreitador de Elite de Nível 4) – 350 XP

Táticas

Os Magos tentam atacar e se mover para ganhar cobertura, usando seus poderes por encontro assim que tiverem mais de um alvo, senão ficam nos Mísseis Mágicos. Os bersekers dão investidas e torcem para tirar críticos. Não tenha dó de apanhar de marcas e afins, eles são cheios de pontos de vida pra isso. O anjo fica invisível usando sua aura no começo da luta, e usa seu poder de almas penadas quando pode. Ele tenta atrair os oponentes para a área de dano radiante. Como é insubstancial, pode apanhar um pouco mais sem problemas, use-o para dar vantagem em combate no início da luta. Ele também é fora de fase [phasing], e pode atravessar as colunas se necessário.

Resumindo, demorei uns 10 minutos para toda a preparação de um encontro combativo interessante, com diversos elementos táticos, sem perder tempo. E é por isso que eu adoro mestrar a 4ª edição do D&D!

Rolem 20!

Sobre Daniel Anand

Daniel Anand, engenheiro, pai de gêmeas e velho da Internet. Seu primeiro de RPG foi o GURPS Módulo Básico, 3a edição, 1994. De lá para cá, jogou e mestrou um pouco de tudo, incluindo AD&D, Star Wars d6, Call of Chuthulu, Vampire, GURPS, Werewolf, DC Comics (MEGS), D&D 3-4-5e, d20 Modern, Star Wars d20, Marvel Superheroes, Dragonlance SAGA, Startrek, Alternity, Dread, Ars Magica e atualmente mestro D&D 5E on-line via Fantasy Grounds. @dsaraujo
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26 respostas a Improvisando encontros

  1. Eita, mais um site pra lista de ajuda ao mestre de D&D 😀

    Eu tenho feito um bocado disso também, especialmente porque a minha campanha atual da 4E é num mundo low fantasy sem muitos bichos sobrenaturais, a galera já lutou um bocado com humanos com fichas de hobgoblins, kobolds e goblins e tem dado tudo muito certo.

  2. Yuri Peixoto disse:

    Boa adaptação, Daniel. Gostei da idéia geral, e conseguiu criar algo bem no contexto….

    E esse fórum (Cartographers Guid) promete ser muuuito amigo meu:P

  3. Franciolli disse:

    Além das adaptações matérias, tenho gostado muito dos links para lugares desconhecidos para mim. São de uma imensa ajuda.
    Parabéns Daniel e Davi!

  4. formiga disse:

    Acredito que todos mestres já devem ter feito isso ou algo similar, devido a falta de variedade de monstros de baixo lvl no MM.

    Achei bem criativo, conhecia o CG, realmente lá tem mapas bem legais e bem pro.

  5. Teilos disse:

    Kra, muito bom o post, primeira vez que entro aqui. Já inserido nos favoritos de ctz!!!!

    E vlw pela dica do Cartographer’s Guild,

    []'s

  6. dephlas disse:

    Po, teu encontro ficou massa, a adaptação do anjo, o contexto e tudo o mais, parabéns.
    Mas esse forum aí, realmente, roubou a cena, hehehehe.

  7. renatorecife disse:

    Essa facilidade de adaptar monstros foi o que mais gostei na 4ed, na 3.0 ou 3.5 fazer esse tipo de coisa dava um trabalho danado.

  8. Rom_Machado disse:

    Cartographers Guid é o que há.
    Peguei altos tutoriais pra fazer mapa no Campaign Cartographer lá.

  9. DM_Rafael disse:

    Anand, uma pergunta: nesses casos de encontros montado as pressas, e com uma variação de monstro com o espectro/anjo, o que você costuma fazer? Escreve num papel as alterações importantes e deixa junto da ficha original, monta completamente a ficha fazendo todas as alterações ou simplesmente faz as alterações de cabeça, enquanto mestra?

  10. DM_Rafael disse:

    Alias, fiz a pergunta ao Anand mas ela se extende a todos que já usaram esse recurso. Particularmente, nos casos de pouco tempo de preparo, eu gosto de anotar as modificações num papel ou cartão e deixo junto da ficha original para não me esquecer dos detalhes (coisa mais fácil de acontecer, se tiver vários oponentes e alguns npcs).

    No entanto, algumas muitas vezes, acabei fazendo as alterações de cabeça. E é claro, SEMPRE acabo esquecendo alguma coisa. Mas em geral, essas pequenas falhas passam desapercebido.

    • renatorecife disse:

      Se é uma coisa de improviso eu monto encontros de um só tipo de criatura (só goblins, só kobolds, etc), ponho um marca-livro na página do Monster Manual e anoto numa folha de papel as estatísticas dos monstros que tiverem sido modificados.

    • vinicius galindo disse:

      é.. eu também sempre esqueço esses "detalhes". Tenho que anotar mesmo. Quando se tem tempo, dá pra fazer a ficha direitinho, imprimir e tal.. Mas quando não dá, tem que ter pelo menos os rabiscos do lado do original. No geral acaba parecendo "passar desapercebido", mas talvez fizesse grande diferença no combate [as defesas, por exemplo].

  11. Daniel Anand disse:

    No meu caso específico, arrastei o Espectro do módulo de monstros para minha lista de monstros no FG2 e fiz a customização dos campos apropriados.

    Mas, se fosse para uma mesa tradicional, eu faria as modificações de cabeça se fosse só virar um anjo, mas imprimiria uma ficha nova no caso de transforma-lo num elite também, senão eu ia esquecer as defesas e afins.

  12. A idéia de "dar nomes novos para monstros velhos" já é bem antiga. Aliás creio que data da época de AD&D! Não é difícil e poupa tempo dos mestres se a questão for simplesmente inventar um monstro inédito para uma sessão de jogo, dar aquela "sacudida" na rotina dos PdJs!

    • O bom é que quando você muda o nome e a descrição todo mundo fica asustado porque tá olhando pra um monstro que não sabe exatamente o que é, isso é especialmente interessante pra grupos de macacos velhos como o meu 😀

      É sempre bom começar os combates com surpresas, mesmo que elas não sejam tão surpresas assim 😉

  13. vinicius galindo disse:

    Bote fé! Até porque, à vezes é difícil mesmo pra jogadores mais experientes não transferir "seu" conhecimento pro personagem. Um monstro "novo" evita isso. Povo não sabe de resistência, habilidades, poderes, etc.
    E a curiosidade dos PJs geralmente é divertida :p

    • Davi Salles disse:

      Teria sido emocionante se o Anand não tivesse falado que o monstro era um spectro… quer dizer anjo. E usado um token de letra "S" para representá-lo e não letra "a"

  14. Yuri Peixoto disse:

    Assino embaixo. No 3.5, sempre usei monstros de livros alternativos (como o meu querido Fiend Folio :P), para apimentar um pouco o jogo, e tirar o foco do conhecimento dos jogadores.

  15. Davi Salles disse:

    Gostei muito da aventura, tirei uns quatro críticos, dois deles seguidos. Mas o mais legal é que soborou bastante espaço para o Karus fazer roleplay, apesar do Karus gostar de proteger os fracos ele odeia líderes medrosos, se você é um líder precisa matar ou morrer por seu povo. Assim ele entrou em conflito com o líder dos Shadar-kai, e como um bom bebum faz mó escândalo.

  16. Mais um depoimento de uma "conversão" de um detrator da 4E que passou para o lado de cá! O amigo foi convencido a jogar uma mesa, com a condição de apenas descrever a história e estilo de sua personagem (uma princesa Bedine de Anauroch que viveu no exílio por vários anos) e deixar a parte "chata e mecânica" de construção da ficha a cargo de um outro jogador que entende do riscado! O resultado? Uma interpretação entusiasmada do ex-reclamão! Ela acabou se tornando uma rogue (artful dodger) e uma sedutora de primeira, com direito a deixar o rei de Cormyr babando depois de fazer uma "dança típica dos Bedine" diante de toda a corte!

  17. Tordek disse:

    Site ta a 3 dias sem atualizar. Essa semana foi sem Podcast! Sem links de domingo! putz! Uma grande perda, me decepciono mt.Se for pra nao atualizar ao menos avisa, principalmente se for pra passar 3 dias assim.Enfim, se continuar desse jeito sinceramente o publico vai se dissolver.Ou pelomenos vao comentar mal sobre o site até que o publico seja reduzido.

  18. Franciolli disse:

    Que é chato não ter atualização é, mas os caras são humanos e não vivem do site.
    Algo aconteceu sem dúvida e espero que não tenha sido nada de mais.

  19. vinicius galindo disse:

    é bixo.. calmae. Ansiedade por um bom trabalho é normal, é até instigante pros caras do site – eu tou entrando todo dia esperando coisa nova hehehe – mas po.. deixa eles, devem estar ocupados mesmo (ou até viajando no feriadão, porque não?).
    tamo na espera, simplesmente. =)

    • Davi Salles disse:

      Os obrigados do Franciolli servem para você vinicius. Essa semana era semana de iniciativa 4e, não rolou de colocá-la aqui, mas teremos podcast semana que vem sim.

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