O futuro do D&D

Li essa matéria, enviada pelo Pedro (que participou lá atrás do podcast do Warlord, e que jogou muito D&D comigo), e fiquei aqui pensando sobre o futuro do Dungeons & Dragons.

A matéria (pra quem não leu) basicamente fala que a quarta edição foi um tiro no pé da Wizards of the Coast, que criou seu maior rival (a Paizo) e que agora está numa situação de declínio. E, isso, eu concordo.

Não me leve a mal, eu acho que a quarta edição do D&D é um jogo de RPG sensacional, um dos melhores conjuntos de regras já lançadas no mercado. Foi ousada, quebrou paradigmas, acertou no balanceamento, no aspecto tático e estratégico. O problema é que, depois de lançar a terceira edição com a OGL, a WotC não deveria largar aquele modelo de regras nunca mais, porque senão perderia o controle da sua criatura. E perdeu.

Eu acho que a OGL foi muito benéfica para o mercado de RPG e para a Wizards of the Coast, e um dos principais motivos da 3E ter bombado tanto (estou falando da gringa, é claro; a análise do mercadinho brasileiro é outra) foi o fato de existir milhares de suplementos e acessórios para o jogo, desde do mais chulé aos Adventure Paths da própria Paizo. Mas, na hora que a WotC decidiu deixar isso tudo de lado para ir numa direção oposta, perdeu todo esse momentum que criou, e agora ele estão numa posição bem ruim.

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Se o D&D 4E tivesse tido qualquer outro nome (Heroic Spells & Maneuvers!), teria ganhado prêmios, sido sucesso de crítica, vendido muito menos, e a WotC ainda estaria suprema no mercado vendendo toneladas de PHB e DMG. Se a OGL nunca tivesse existido, a 3E teria sido muito menor, mas a 4E teria reinado suprema, por não ter nenhum concorrente de fato (ou teria inúmeros, o que dá no mesmo).

E tudo isso culmina com a chegada do D&D Next, uma quinta edição sem muita identidade, a edição panos quentes. Longe de ser inovadora como a 4E, ou desruptora como a 3E+OGL, será um D&D morno, sem muita força contra o consolidado Pathfinder, e vários outros jogos que ocuparam o lugar. O que, na minha opinião, é algo insperado. Nunca houve um mercado sem um D&D forte. Duas coisas podem acontecer: a Paizo toma o lugar da WotC como a empresa que mostra os rumos do hobby (visão otimista), ou teremos um mercado com um D&D enfraquecido que se fragmenta e aliena novos jogadores ainda mais (visão pessimista).

Eu espero que aconteça o primeiro caso. Provavelmente vou comprar o Next, porque sou um colecionador maníaco. Tenho a 3E completa, e até o básico do Pathfinder aqui na estante. Mas jogar, jogar mesmo, estou jogando 13th Age, Ars Magica, Warhammer, One Ring e várias outras coisas que ocuparam o vazio que o D&D está deixando no coração RPGístico aqui.

Continuem rolando 20, até!

Sobre Daniel Anand

Daniel Anand, engenheiro, pai de gêmeas e velho da Internet. Seu primeiro de RPG foi o GURPS Módulo Básico, 3a edição, 1994. De lá para cá, jogou e mestrou um pouco de tudo, incluindo AD&D, Star Wars d6, Call of Chuthulu, Vampire, GURPS, Werewolf, DC Comics (MEGS), D&D 3-4-5e, d20 Modern, Star Wars d20, Marvel Superheroes, Dragonlance SAGA, Startrek, Alternity, Dread, Ars Magica e atualmente mestro 13th Age. @dsaraujo no twitter

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59 respostas a O futuro do D&D

  1. Carlos F. disse:

    Qual o sistema que tu indica para alguem adentrar no mundo rpgista?

    • Daniel Anand disse:

      D&D, caixa vermelha da Devir.

    • leandropug disse:

      Savage Worlds também é uma bela opção.

    • Gabriel disse:

      Old Dragon, da Redbox, é uma ótima pedida também.

    • DMJR disse:

      Importado: STAR WARS: Edge of the Empire Beginner Game, da Fantasy Flight Games. Tem a melhor curva de aprendizagem das caixas básicas, além do material estar muito além de qualquer outra caixa parecida no mercado, graficamente e quanto a desenvolvimento. Mas é todo em inglês e custa caro.

      Nacional: D&D, caixa vermelha da Devir é o grupo de regras de melhor assimilação no mercado. É relativamente barato, é em português e é completamente focado em apresentar o jogo para iniciantes. Old Dragon, da RedBox, e Savage Worlds, lançado pela RetroPunk, são sistemas que podem ser uma porta de entrada, mas se o grupo inteiro for de principiante, correm o risco de ficar um tanto perdido ao se deparar com o livro de regras, que não tem como ponto principal introduzir ao rpg.

    • Cahito disse:

      Jah joguei uma pah de sistemas… O importante eh comecar! Encontre um sistema que tenha uma proposta de cenario que te pareça boa. Isso eh o mais importante: Cenário. A parte de regras e sistemas devem ser um complemento para se jogar. E complemento qualquer um serve. Se comprar um sistema que não goste, mude! simples assim. Tente sempre conhecer sistemas novos, novos cenários, novos tipos de narrativas… E divirta-se!

  2. Drugue disse:

    Concordo plenamente contigo. Mesmo sendo mais jogador da linha Storyteller/Storytelling eu sempre gostei do D&D e sempre joguei D&D, ele era referencia, era assustador a quantidade de títulos que saiam e a quantidade de livros que chegavam em terras tupiniquins e traziam novidades pro hobby, hoje em dia a gente nem escuta mais falar de D&D, Pathfinder realmente tomou o lugar dele mas não tem a mesma força, hoje o que eu vejo, pelo menos aqui no Brasil é que as produtoras indies estão aproveitando essa baixa do mercado para lançar excelentes jogos que talvez não tivessem um espaço na época que o D&D reinava suprema. Me assusta um pouco pensar num futuro sem um D&D forte pra servir de base, mas no momento eu não acredito que o D&D volte pra essa posição…

    • Daniel Anand disse:

      Na verdade eu acho que no Brasil o D&D tem muito mais supremacia, especialmente olhando o futuro. Isso por conta da 3E no Brasil, que foi o D&D definitivo por aqui, e por conta de Tormenta.

      Os indies tem mais força, sem dúvida, mas ainda estão longe em tiragem do que tem de D&D circulando por aí. 🙂

      • Dan Ramos disse:

        D&D sempre será D&D, realmente com supremacia. Por mais que as pessoas reclamem (da Devir), há um abismo entre o porte das outras editoras e o porte da Devir, e o poder das licenças que ela detém.

        • DM Rafael disse:

          Pois é, estou bem curioso para ver o que vai acontecer no mercado nacional quando sair o Pathfinder pela Devir. Alias, ela vai manter a licença do D&D?

  3. Dan Ramos disse:

    O melhor da sua análise Anand, é que de certa forma não é parcial, ou seja, não pode ser encarada como uma pessoa que não gosta da 4E/Next falando mal da Wizards. Eu concordo plenamente com o que você diz.

    Sobre o mercadinho brasileiro, quero ver como vai ser a chegada do Pathfinder aqui. Eu creio (e espero que) venderá bastante, embora não saiba dizer se as pessoas que jogam D&D 3 vão adotar facilmente (principalmente pelo fato de ter que comprar mais um livrão caro).

    Só uma coisa: não entendi porque você ressaltou que está falando da gringa quando disse que o D&D 3 bombou tanto – aqui no Brasil foi supremo, bombou até a morte, tanto que até hoje tem muita gente que joga!

  4. DM Rafael disse:

    Sei não Anand. Você chama de edição panos quentes, eu digo que é dar o que o povo quer mas de uma forma bem pensada e estruturada.

    Eu adoro a 4e mas ela é complexa demais para algumas pessoas e mudou muito a identidade para criar a identificação dos jogadores antigos.

    Não acredito que a WotC vai roubar os fãs que abraçaram o Pathfinder. Mas pelo que estou lendo do D&D Next, acho que ela será capaz de provar ao pessoal da antiga que é aquele D&D que eles conhecem (só que melhorado) e pro pessoal novo que é um ótimo jogo para começar, se não o melhor e ideal.

    • Daniel Anand disse:

      O problema da 4E para os grognards, imho, não é a complexidade, mas sim a quebra com os paradigmas existentes, especialmente a magia vanciana (o que é bem compreensível).

      O que eu não consigo perceber é porque eu jogaria o Next ao invés da 3.x. Não vi nenhuma melhoria significativa lá, e a 3E tem um suporte monstro demoraria anos para o Next alcançar.

      • DM Rafael disse:

        São dois problemas diferentes: complexidade nas resoluções (o sistema em si é simples) e a quebra das convenções.

        O que o D&D Next me parece muito melhor que a 3e é ser menos pesada. O acúmulo de bônus, penalidades e circunstâncias influencia na dinâmica do jogo causava um crescente problema de gerenciamento na mesa.

        Menos bônus (e tipos de bônus) tornam cada um mais significativo. Unificar sistemas de testes ajuda ainda mais para evitar dúvidas nas resoluções.

        Em todo caso, isso é só uma impressão minha. Eu ainda vou testar o Next nesta última versão, e parece que você tem jogado e testado. Vamos ver o que vou achar depois de rolar os dados. Até o momento tem parecido promissor.

        • Daniel Anand disse:

          A matemática melhora bastante sim. E acho os monstros do D&D Next muito superiores aos da 3E e da 4E, em sua simplicidade e eficiência. Mas, como jogador, achei simplificado demais, e ainda preferiria jogar 3E.

          • DM Rafael disse:

            Talvez por isso esteja tão atraente para mim. Larguei a 3e não suportando mais, e por isso abracei a 4e com tanto gosto. Mas quero descobrir as opiniões dos meus amigos que até jogavam a 4e mas que ainda preferem a 3e.

  5. D Morais Jr disse:

    Eu sou um otimista. Não acho que o D&D Next vai ser esse fracasso que muitos estão prevendo; eu, na verdade, vejo o D&D Next como uma edição sem as características marcantes da quarta ou a gama gigantesca de opções da terceira, mas com um potencial de arrebanhar jogadores da quarta edição, da terceira, AD&D, OD&D, os menos fanáticos daqueles que hoje jogam retroclones e até mesmo muitos jogadores de Pathfinder; tudo isso graças a dosagem correta de mecânicas e formas de abordagem; O que eu vi até agora no teste aberto é um jogo rápido e dinâmico, divertido e com uma mistura em doses boas das mecânicas bem construídas da nova geração e do espírito mais aventureiro dos rpg's old school. E o mais importante: esse ainda não é o produto final! E podemos ainda nos surpreender MUITO!

    Tudo depende de como a WotC manejar esse projeto a partir de agora com o final dos testes públicos. A WotC sabe o que o mercado quer, ela já captou a opinião de seus jogadores, e se usar isso da maneira certa, pode fazer algo para marcar o hobby para as próximas gerações, como foi com a terceira edição! Dependendo de como o jogo final for apresentado e recebido, poderemos ter novamente um cenário como o da terceira edição, com uma OGL nova. Ou até mesmo um cenário como o visto nas edições do AD&D (extremamente improvável, mas lembrando que sou otimista), com um jogo com uma vida extremamente longa e passando por uma ou outra atualização eventual. Pelo que eu vejo, se o D&D NEXT der certo, tem tudo para retomar o mercado que tem perdido para empresas como a Fantasy Flight, Paizo, Green Ronin, entre outras. Quem sabe se essa não será realmente uma edição para todos governar?

    • Daniel Anand disse:

      Seria um cenário fantástico, de fato. Mas o que você viu no Next até agora que te faria parar de jogar qualquer outra edição?

      O AD&D 2E estruturou bastante o D&D. A 3E me trouxe um monte de melhorias em relação ao AD&D. A 4E veio cheio de novidades. O Next, pelo que vi até agora, não trás nada de melhoria ou mudança. Concordo contigo que ainda não vimos o produto final, mas até agora… O que eu mais esperava, a modularidade, não rolou ainda.

      • D Morais Jr disse:

        O que eu vi no D&D NEXT até agora… (Cinco pontos que me fazem gostar de NEXT).
        1) É D&D. Tem tudo lá, as seis habilidades, as raças, as classes, os dados de 20, tudo que me fizeram gostar de rpg. Mas até aí todas as edições antes da quarta também tinham. Mas o Next consegue trazer essa sensação de D&D de volta, e com mecânicas mais facilitadas. O que me leva ao segundo ponto:
        2) As regras não estão mais atrapalhando o andamento do jogo. Acontecia bastante nas minhas primeiras aventuras como mestre na terceira edição e AD&D (e em todas as vezes que eu fui jogador na quarta edição), de ter de parar a partida e ir atrás das regras para determinada situação. Isso não acontece no NEXT. Eu uso todas as regras, claro, mas basta uma olhada sobre os guias e você está pronto para continuar jogando. As regras são mais amigáveis ao jogador.
        3) Novas mecânicas: Skill Dice, Advantage/Disvantage, Arcane Recovery. Para mim, tornam o jogo mais fluído, mais dinâmico e mais divertido.
        4) Bounded Accuracy: Para mim é o ponto mais crítico do jogo, embora eu ainda goste. Precisa com certeza ser melhorado. Pode tanto ser o maior trunfo dessa edição quanto a pior coisa. Pode, no melhor cenário, significar que um inimigo continua letal do início da campanha até o final, mantendo a tensão ao longo da campanha , mas pode, num cenário menos otimista, engessar o jogo ou, no pior cenário, aumentar ainda mais a disparidade entre classes e níveis.
        5) Classes e criação de personagem. Eu gostei das classes (ou a maioria delas), gostei da criação de personagem, com inúmeras personalizações, podendo fazer com que seu personagem seja EXTREMAMENTE único. Isso vem com a desvantagem que você talvez tenha de gastar um tempo montando a história do personagem para que ela se encaixe com o tipo de PC que você quer jogar e com o planejamento mecânico do seu herói (com um nível um tanto menor de power game do que as edições antigas, vale observar); o que pode ser chato para alguns e ser muito proveitoso para outros, por aproximar o personagem do jogador.

        OBS: Também estou esperando a modularidade e acho que realmente vá rolar na edição definitiva. Foi ponto crítico na avaliação dos questionários que os jogadores queriam essa modularidade, então eu estou contando com ela na edição definitiva.

        • Daniel Anand disse:

          Cara, tem o logo D&D na capa, é D&D. O resto é filosofia. 🙂

          O princípio de Bounded Accuracy, pra galera saber, basicamente é ter uma matemática constante. Isso é de fato uma melhoria, uma das melhores imho, e é um ponto que gosto também.

          Agora, em termos de customização de personagem, me parece bem similar a 3E (sem as prestige classes) ou a 4E (com os dois builds básicos expandidos mais tarde).

        • Jean Silva disse:

          Concordo em parte com seu post (a maioria no caso), exceto por uma: Grande customização.

          Na 4E você tinha pelo menos 4 características que podia escolher (3 powers + estilo de classe), sem contar os feats no primeiro nível. Nessa edição mal escolhe 1 característica no nível 1, e todas as outras são iguais para todos os personagens, exceto o Mago (vide monge, que todos fazem a mesma coisa até o nivel 3 ou 4, não lembro direito).

          Concordo totalmente se me disserem que está mais fácil de novos jogadores aprenderem e ter mais velocidade na criação de personagens, e acho um ponto positivo. Apenas para mim a questão da customização, que disseram que seria maior, está pecando muito ainda. Espero que melhore isso, que desde o nível 1 e adiante os jogadores possam sempre fazer escolhas para customizar seus personagens sem ficar destrinchando regras (como multiclasse, feats, etc).

        • D Morais Jr disse:

          O meu ponto quanto a customização se baseia na ideia de que o jogo ainda está em fase de teste. Para um jogo em fase de teste é uma BAITA customização. Veja bem, você escolhe uma raça, uma sub raça se for apropriado; uma classe e uma especialização; e um background. Tudo isso pode te dar habilidades específicas e customizáveis, no sentido que é possível criar facilmente novos backgrounds e fazer alterações em raça e classe, de forma otimizada.
          Eu considero bastante coisa para um beta teste.
          Estou esperando que na versão definitiva existam vários novos backgrounds, mais algumas opções de customização dentro das classes, o jogo tem muito potencial para isso.

  6. BrunoZhy disse:

    Eu gostei do texto do Anand e concordo com ele, o D&D 4º dividiu os fãs do D&D, eu adorei e sou um paladino da 4ª ediçao, o D&D Next quero ver principalmente o Forgotten =).

    O PathFinder eu achei maravilhoso pois ele deu aos RPGistas o que eles queriam e mostrou pra Wizard que ela nao pode ficar de braços cruzados, é o classico exemplo da empresa que deixa acha que esta por cima da carne seca, ai do nada vem outra mostrando o que o consumidor quer e SUPRESA! estamos ganhando rios de dinheiro e fazendo os fãs felizes e voces nao.

    Sou mestre e Narrador de Storyteller, porem me rendi ao D&D que a anos vinha me assombrando, chega de Luas,Mascaras e Paradoxos.

  7. thiagotogbr disse:

    Pathfinder e 3ed são fortes, mas o Next tem potencial. Cito como indício a pesquisa do EN World do que os usuários andam jogando (Next na frente, seguido de perto por Pathfinder): http://www.enworld.org/forum/hotgames.php.

    Acho que uma das provas de fogo do Next será quando lançarem os módulos de combate tático, de customização das subclasses, de sistema dramático com elementos narrativistas (http://www.wizards.com/DnD/Article.aspx?x=dnd%2F4ll%2F20130923&SortBy=2#DnDComments).
    Terá coisa pra atrair e agradar diferentes gostos e possibilitar diferentes estilos de D&D. Ao invés de lutarem contra a fragmentação, estão tentando abraçá-la.

    Estão apostando tbm não em retomar clientes que debandaram pra outras áreas (Pathfinder, OSR, indies), mas em crescer o mercado. Para isso, estão apostando naquela estratégia de expandir a "marca D&D" (jogos de tabuleiro, aplicativos de celular, jogo de face, brinquedo Kre-O e quem sabe um filme).

    Pode ser bom tbm o fato de deixar o mercado respirar um pouco longe do D&D (pra depois "cair matando" com uma estratégia de marketing dos 40 anos de D&D).

    Sei lá, sou um pouco otimista com o futuro do D&D (mas vale apontar que eu era mto otimista com o lançamento do Episódio I do Star Wars e tive que aguentar mta zoação, kkkk)

    • Daniel Anand disse:

      Que o ano que vem vai ser o ano do D&D, não tenho dúvida. Eu mesmo estou me organizando para ir para a Gen Con! 🙂

      O artigo do Mike Mearls que você linkou só me dá medo: O Player's Options de Combate do AD&D (o 2.5) foi um dos suplementos mais bizarros e desbalanceados que tinha. Agora se os caras conseguirem montar o next de maneira a ser possível "plugar" combates à-la 4E, aí sim acho que é o caminho, mas ainda não vimos nada disso. A única modularidade que vimos até agora foi um bando de regras opcionais no básico.

    • Davi Salles disse:

      Gastar com mkt e a marca d&d seria fantástico, mas o next não parece ser um d&d para conseguir novos mercados, parece mais um rpg para manter o pouco que tem. Se você quer dominar o mercado não adianta lançar mp3, precisa lançar um ipod.

  8. Achei legal o post!

    Mais uma coisa, não encontrei link para twittar a noticia, tem isso ou eu que estou não estou achando?

  9. Salve…

    Gostei muito do artigo e acho que ele foi direto aos pontos, sem frescura.

    Mas tenho que me posicionar… Acho que teremos o cenário pessimista, com o fracasso da D&D Next, mas de uma forma diferente…. Não podemos nos esquecer de três coisas. A primeira, e que parece repetitiva, grande influência e alterações que a internet fez e tem feito. Com a enorme troca de informações – que já vem à mais de uma década, mas que vem crescendo cada vez mais – um novo sistema surge num lado do mundo e no outro dia já está sendo comentado do outro lado (sei que isso não é novidade, mas é um diferencial que só cresce e nos trás resultados cada vez mais impressionantes). O segundo ponto é a facilidade com que financiamentos coletivos entraram no meio do rpg e como hoje todo mundo 'pode' ter o SEU editado e publicado. O terceiro e muito importante ponto é que os fãs que se desagradaram com a 4E acabaram ficando fiéis à versão 3E e muitos (muito mais do que imaginamos) continuam e continuarão jogando a 3E. Ainda hoje muito material é lançado extra-oficialmente para centenas de cenários.

    Então a fragmentação é inevitável. A pergunta é… essa fragmentação será tão ruim assim? Eu acho que não…. Mas aqui ficaria muito longo discorrer sobre isso…. Vou preparar um artigo sobre isso com mais tempo…..

    De qualquer forma gostei muito desta matéria…. Pena que tão poucos debatem o RPG neste nível!

    • Davi Salles disse:

      O ruim desta fragmentação é que acaba faltando uma empresa que tenha a capacidade financeira de fazeralgo mais com o rpg. 1000 empresas lançando seus vários rpgs é otimo para qem joga, mas nenhuma delas está buscando novos jogadores, pelas simples razão que buscar novos jogadores é dispendioso. O Next parece ser a forma da wotcjogar a toalha e mostrar que também não quer brigar oor novos mercados. A 4e parecia um rpg muito mais ousado e que buscava novos jogadores.

  10. @dfclemente disse:

    Sou eclético quanto a sistemas de rpg, sou mais tendencioso ao Gurps, mas D&D 3.0/3.5 foram em disparada o melhor q a TSR/Wizards poderiam ter feito. Não gostei do 4ed pois achei muito videogame.. Estou ansioso pelo 5.

  11. Diego disse:

    Daniel, eu estou tentando acompanhar o que acontece com D&D next e Pathfinder. Principalmente agora que Pathfinder vai sair em português (esta sendo traduzido). Vc tem acompanhado mais de perto os playtests do next e tb possui os livros do pathfinder, como sistema regras, em qual deles vc esta apostando mais?

    Obs: Faça uma resenha dos livros de Pathfinder… talvez seja um momento oportuno. Oq acha?

    • Daniel Anand disse:

      Nunca joguei Pathfinder. Acompanhei o beta na época do lançamento, li as regras e tals, mas nunca joguei, sempre preferi jogar o D&D 3.5 "puro". Joguei umas seis sessões de Next. Não acredito que Pathfinder vá sofrer muito com o Next, mas já é um jogo que está bem maduro, chegando ao fim do ciclo natural de uma edição. O Next, o que acho tá bem claro lá em cima no artigo! 🙂

      • Diego disse:

        Pois é… eu pergunto pois tenho muito material do 3.5, e gosto do que eu tenho. Gosto muito de forgotten e tem muito material de forgotten nessa ed. Eu gostaria de uma atualizada nas regras do 3.5, mas a 4e não me agradou muito, então estou olhando o next e o pathfinder pra ver qual dos dois me agrada mais.

        O jeito vai ser esperar o Next sair, pra ver como as coisas vão ficar.

  12. Sherlockbr disse:

    Estou ansioso pela quinta edição, mas também me encontro muito temerário. Quando vemos edições anteriores, temos que absorvê-las para evoluir as novas edições. Em que universo um druida fica melhor sem um companheiro animal? Desde quando um humano é, nos atributos, superior as demais raças? Uma das inovações da terceira edição, foram as classes de prestígio e a opção mais livre para multi classes, mas como ficará esta abordagem na quinta edição… será totalmente esquecida?

    Eu sei que meio elfo é um clássico e meio orc também se tornou famoso, mas meio raças deveriam ter uma regra mais aprofundada, pois como seria um meio orc meio anão? ou como seria um meio halfling meio gnomo? Sei que esta regra não será sequer abordada, mas acho que deveria receber mais atenção!!

  13. jrmariano disse:

    Anand, porque achas que um D&D "enfranquecido" fragmenta o mercado e aliena ainda mais os novos jogadores? É pior causa da "brand" ter tido sucesso fora dos RPGs de mesa? 🙂

    • Davi Salles disse:

      Quando você tem um monopólio de uma marca, como o D&D tinha no mercado do rpg, acaba sobrando dinheiro para a empresa monopolista. Esse lucro extra geralmente é usado para garantir a posição monopolística da empresa, geralmente através de marketing. Com o D&D enfraquecido e nenhuma grande marca no mundo do rpg monopolizando o mercado as pequenas empresa não vão ter capacidade financeira de investir em marketing expandir o mercado de rpg.

      por outro lado, sem um rpg monopolista, fica mais facíl surgirem novos rpgs. É exatamente o que estamos vendo agora, com as milhares de variações de d&d e outros rpgs com propostras próximas. No entanto nenhum desses novos rpgs possuem o aporte financeiro para expandir o mercado de rpg, vão tentando tirar leite de pedra e fazer os antigos jogadores gastarem em seus rpgs. É muito facil ver isso pelos novos rpgs que estão aí, 13th age, the one ring, são rpgs feitos para quem já joga rpg

      Uma empresa monopólio é geralmente muito bom para garantir a inovação, pois são os lucros monopolistas que garantem o aporte financeiro para gastar em R&D e marketing, e defender a posição monopolista.

      • jrmariano disse:

        Não sei, David, não tenho dado muito contas dessas empresas monopolistas do RPG usarem o seu dinheiro de sobra em desenvolvimento de produtos com ideias realmente novas nem os esforços de marketing dos seus jogos expandir o mercado para uma grande quantidade de novos jogadores.

        Mas também eu acho que prefiro mais variedade de RPGs e pequenas empresas que apoiam de maneiras mais célere as comunidades à volta deles (um desses exemplos é a Paizo, eh eh) por isso a minha opinião vale o que vale.

        • Davi Salles disse:

          É, mas quando o d&d reinava supremo tinha encontro internacional de verdade, diversos encontros menores…. acho que havia sim bem mais grana sobrando para bancar esse eventos. Aqui e lá fora, como diz no artigo que o espaço do ded foi sendo reduzido na gencon

        • Daniel Anand disse:

          Ninguém põe mais dinheiro, material e suporte para os logistas nos EUA que a WotC. A Paizo também faz isso, mas a Paizo é outra WotC, defendendo seu D&D. O meu medo é a marca ficar fraca, e com isso penalizar ainda mais a divulgação do hobby.

          • jrmariano disse:

            Hmm… Talvez seja por isso que eu tenha dificuldade em reconhecer a necessidade de um mercado concentrado num só jogo de RPG: há muito tempo que compro o material de RPG sem recorrer a lojas físicas e o apoio da Wizards (através da Devir, evidentemente) aos seus produtos de RPG aqui por Portugal é quase nula e em nada tem contribuído para a divulgação do hobby.

            E aí no Brasil, o cenário é muito diferente?

      • sembiano disse:

        Sei lá, acho que estou ficando velho, não vejo esta variedade de jogos tão diferente do que era nos anos 80 e 90 quando tinha jogo de RPG de tudo que é tema e jeito…….o que para mim causa está impressão de maior diversidade de hoje é o acesso a informação e estes jogos aparecendo no Brasil.

        • jrmariano disse:

          Velhos acho que estamos a ficar todos, eh eh.

          Bem, depende de como abordas a ideia de "variedade": se pende mais para a ideia da "variedade como quantidade de RPGs publicados hoje em dia" ou para "variedade como mostra das exploração de diversas filosofias experimentais de design de jogo" ou até para outra qualquer possível que eu não me lembre. 😉

        • Daniel Anand disse:

          Eu acho que hoje não só tem uma variedade maior na gringa, com o mercado indie fervilhando, como temos *alguma* variedade aqui no Brasil, depois que Devir começou a ser acompanhada por Jambô, RedBox e outras nacionais.

  14. Fenmarel disse:

    Quando se fala de D&D sempre vem à nossa mente aquele sistema repleto de regras realistas e classes de personagem. D&D 3.x veio com diversas inovações gráficas, táticas e mecânicas; foi o último D&D que incluía em sua mecânica a disparidade das classes como parte do sistema. D&D 4 (aka 4E) buscava equalizar todas as classes, acabar com as disparidades e tornar o sistema favorável para todos os jogadores que reclamavam do charme do 3.x, que era justamente a desigualdade que tornava cada classe única. Muitos viram esse equilíbrio excessivo da 4E, aliado a descrições que deixavam o "roleplay" de lado e focavam na mecânica, como determinante para mostrar que uma nova edição era necessária, uma que trouxesse de volta as raízes do D&D.

    Não adianta dizer que 4E é um sistema bom, por que se ele fosse o sistema ideal para D&D Elminster teria uma ficha de personagem.

    A quarta edição se mostrou "equilibrada demais", do ponto de vista mecânico, a interpretação ficou mais difícil à medida que o texto estimula o jogador a usar termos que não condizem com o medieval ou com o natural. Cheguei a ouvir jogadores que haviam começado na 4E dizerem que só era possível medir a distância em "quadrados", já que éramos "obrigados pelo livro" a utilizar um tabuleiro com miniaturas… Falha de interpretação? Provável, mas não vi isso apenas uma ou duas vezes, o que me leva a crer que a falha só pode estar em um lugar: o livro do jogador.

    Pathfinder está um pouco além dos meus conhecimentos, já que nunca "mestrei" nem uma partida nesse sistema, mas estou certo de que seu lugar no mercado está permanentemente assegurado.

    Chega a nova edição de D&D, buscando colher com seus jogadores mais antigos, e também com os mais novos, dicas para trazer de volta a sensação original de Dungeons & Dragons. Com a Wizards mais alinhada às novas tecnologias e em sintonia com seu público, os novos tempos de D&D prometem surpresas, que terão início com "The Sundering". Observando os testes de jogo podemos ver que há alguns elementos de edições anteriores que estão se encaixando muito bem, mas apenas o produto final nos mostrará definitivamente se o objetivo foi, de fato, alcançado. Da minha parte, estou aguardando.

  15. sembiano disse:

    Tenho visto e acompanhando o D&D Next, não que eu desconsidere as possibilidades levantadas, mas considero sim a possibilidade do D&D Next ter sucesso também e ser um produto forte, não o acho fadado a ser um produto fraco e panos quentes, vejo uma releitura interessante que juntando conceitos diversos formam um produto novo (benchmarking). A marca D&D é muito forte e tem um conjunto de cenários com um apelo considerável, haja visto o The Sundering que saiu em diversas outras mídias não específicas ao Hobby.

    D&D no meu ponto de vista, continua sendo o único "Brand" capaz de ultrapassar os limites do Nicho e isto faz toda a diferença. Vejo nos fóruns de fora a cada dia um número maior de comentários referentes ao "desgaste" do Pathfinder e da incerteza que isso traz, os outros jogos, por mais barulho que façam com uma comunidade ativa não conseguem romper a barreira de vendas do D&D e mesmo a WotC sem lançar algo novo há muito tempo, ainda posiciona em segundo lugar em vendas (iCV2) seu produto. Para aumentar a polêmica a Hasbro briga com tudo com a Warner pelo direito de lançar um filme de D&D e o Neverwinter ao que parece segue crescendo.

    Quanto ao Pathfinder no Brasil, acho que a galera que está mexendo com ele é muito competente, mas talvez o timing dele tenha passado, nesta altura do campeonato a própria Paizo deve estar repensando o negócio……

    Acho que a WotC está fazendo o que tem que fazer pós situação 4e, que você bem colocou, agora se isto é o necessário para ela recuperar o status quo anterior, acho que não, mas penso que será o primeiro passo de retomada. Hoje, conforme entrevista do Greg Leeds, a visão da WotC é muito mais voltada para o potencial de venda da marca e não só do jogo, mas o jogo tem que ser forte para que o resto vire.

  16. Mike Wevanne disse:

    Eu concordo que D&D esteja enfraquecido, mas não que o Next esteja tão sem identidade assim… A proposta que ele esta tentando fomentar esta bem interessante, se vai ter exito, é uma questão que esta deixando muitos curiosos.
    Gostei do comment sobre o sucesso do D&D4 se ele tivesse sido lançado com outro nome, não poderia resumir melhor a situação!

  17. danfigueroa disse:

    A 4e é a melhor edição do D&D, mas teve a pior administração possível. Eu ainda acho que ela é muito divertida, mas o mestre precisa ter jogo de cintura. Também estou com um pé atrás com o NEXT, mas comprarei na pré-venda e o jogarei com certeza e espero que ele me divirta tanto quanto a 4e me divertiu, tendo em vista que sou DM 100% das vezes.

  18. Youkai X disse:

    Eu já detestei o D&D Next pelo pouco que vi em playtests e pretendo migrar pro Dungeon World (um ótimo RPG indie tipo Dungeons & Dragons e inclusive bem traduzido aqui no Brasil pela Secular Games) e o 13th Age (que pra mim é o sucessor espiritual do D&D 4e). Ainda posso jogar o Pathfinder sob algumas circunstâncias (ir com a cara do mestre, ter todos os materiais liberados, estar num nível médio-alto, etc). E é isso. Concordo que D&D 4e teve uns erros fatais, embora pra mim tenha sido a melhor edição de D&D até hoje.

    • Davi Salles disse:

      Mas ainda podemos jogar 4e!!! Tudo bem, tudo bem, é legal quando o sistema que jogamos está tendo suporte, mas acho que quem não gostou do Next, pode ficar na 4e por um bom tempo. Com o fim do suporte oficial, podem surgir vários blogs e alguns até ficarem mais ativos com material de 4e.

      Regras que gostaria de ver na 4e, contruções de castelos e fortalezas dos heróis, regras para combate de exércitos (precisa ser tático e com tabuleiro), simplificação matemática (tirar todos os bonus de 1/2 nível e nível dos monstros, equalizar todas as DCs), regras de ferimentos (essas já tem).

  19. Claro que é tudo uma questão de gosto pessoal, mas me dá até úlcera ler "4ed é a melhor edição de D&D que já existiu". Blargh. Sou cria do bom e velho AD&D e estava pensando seriamente em experimentar o 5ed, até que conheci OSRIC e outros OSR. Desencanei, vou ficar com as edições antigas e retro-clones mesmo, obrigado!

    • Daniel Anand disse:

      Algo que eu nunca entendi foram os retro clones. Porque eu jogaria um jogo "novo" no estilo velho se posso pegar os livros do AD&D (ou comprar, que a WotC tá reimprimindo tudo) e jogar?

      • Depende do retro-clone. Alguns são apenas a compilação das regras exatamente como no sistema original, apenas consolidada e editada para mais fácil consulta, como o OSRIC, e também para possibilitar que empresas independentes possam criar conteúdo para o tal sistema, mas sem infringir copyrights. Agora alguns outros fazem um revamp mesmo, melhorando o sistema, atacando as falhas, inconsistências e desbalanceamentos que existiam no original. Enfim, o legal é que tem conteúdo para os jogos de antigamente sendo criado e isto continuará a acontecer 🙂

  20. Rafael Rosa disse:

    Curiosidade, qual Warhammer você joga? Miniaturas? Warhammer Fantasy? 40000? Se Fantasy, qual edição? Eu joguei um pouco da Fantasy 2a edição e gostei muito.

    Voltem a gravar o podcast, era muito legal.

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