Videogame de Papel – Shadowfang Keep

O título do post é obviamente uma homenagem à série de posts do d3System, mas será também uma nova coluna semanal aqui da Rolando 20. O objetivo é trazer (outros) aspectos de videogame para nosso jogo favorito, depois de emprestar tanto nossos termos para os consoles.

E se tem um jogo que podemos tirar muita coisa legal e aplicarmos nas nossas mesas de Dungeons & Dragons é, ironicamente, World of Warcraft. No caso, as chamadas instâncias, que nada mais são do que Dungeons exclusivas para os grupos formados lá. O legal das instâncias é que todas elas possuem histórias fantásticas, encontros divertidos, que muitas vezes usam e abusam de terrenos ou layouts interessantes, estratégias inovadoras, e necessidade de trabalho em grupo dos PCs.

Para começar o artigo, falaremos de uma das minhas instâncias favoritas: Shadowfang Keep. A minha idéia é adaptar os conceitos do mundo ficcional de Azeroth para algo mais genérico, usando os termos e idéias dos Pontos de Luz da 4ª edição. Deixarei sempre no final as referências disponíveis, para quem quiser outras idéias de como inserir o conteúdo no seu cenário ou campanha.

Perceba que esse é um post para DMs. Se seu DM quiser usar esse material na sua mesa, e você ler antes, pode ter parte de sua diversão estragada. Considere tudo daqui pra frente como spoiler.

Shadowfang Keep

História

Durante as guerras entre Bael Turath e os dragonborns, quando os magos da organização Golden Wyvern eram enviados para lutar contra as hordas de undead enviados pelos cultistas, muitas vezes eram trazidos de volta como mortos-vivos. Frustrado com essa situação lastimável, o arquimago Arugal resolver invocar criaturas da Shadowfell para ajudar os ranques de Arkhosia e a união da luz. Suas magias de conjuração trouxeram os Worgen para o mundo. Essas ferozes criaturas-lobo eliminaram rapidamente a oposição de Bael Turath, mas se voltaram contra os magos também.

Elas tomaram o forte do Barão Silverlaine, próximo ao pequeno vilarejo de Pyrewood, que rapidamente se encontrou em ruínas e destruição. Louco com a culpa, Arugal adotou os worgen como seus filhos, tomando refúgio nas ruínas do forte, chamado agora de Shadowfang Keep. As lendas dizem que ele ainda vive lá, protegido por seu enorme animal de estimação, Fenrus – e pelo espírito do Barão Silverlaine.

As florestas ao redor do forte e do vilarejo de Pyrewood são comumente alvos dos worgen que caçam na região. A cidade mais próxima é Ambermill, que até hoje não conseguiu lidar com as criaturas-fera. Dizem que um grupo de aventureiros está para passar pela cidade. O prefeito Janus Tyroll deixa sempre um cartaz de recompensa na Taverna do Lobo Morto, em Ambermill, oferecendo 2.000 moedas de ouro por cabeça para o grupo que acabar com a fonte dos worgens.

Hooks

  • Os jogadores podem aceitar o pedido de recompensa oferecido pelo prefeito Janus Tyroll. Além do prêmio em dinheiro, eles ganham 1.800XP (Major Quest) se impedirem Arugal.
  • Um grupo de warlocks conhecem a história de Arugal, e eles sabem que o arquimago ainda guarda os rituais que trouxeram os Worgen ao mundo. Eles oferecem 1.500 moedas pelos encantamentos, mesmo que incompletos. Essa é uma minor quest, de 500XP.
  • Algum descendente do Barão Silverlaine pode pedir aos jogadores que ajudem seu antepassado. Ele oferece um item mágico de valor que pertenceu a sua família. Essa também é uma minor quest, de 750XP.

Encontros

Nos próximos posts dessa série, irei descrever os seguintes encontros, voltados para um grupo de nível 6.

Visão Interna de Shadowfang Keep

  • Grupo de worgens, que pode ser encontrado nas imediações do forte, ou mesmo dentro dos níveis inferiores;
  • Fenrus, o Devorador: o lobo gigante de Arugal;
  • Barão Silverlaine, fantasma do local, que será um Skill Challenge com combate em caso de falha;
  • O arquimago Arugal.

A Dungeon original possui uma série de outros encontros combativos, mas resolvi pegar só os mais legais. Você pode facilmente expandir essa lista usando o material de referência, se seu grupo estiver se divertindo.

Referências

Espero que gostem desse tipo de post. Rolem 20!

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Skill Challenge #2 – Simpatia pelo demônio

Seguindo a seqüência de Skill Challenges (semana passada encontramos uma cidade em chamas), continuaremos a colocar os personagens em situações de desafio. Nessa semana, teremos uma cena para ser usada quando o grupo estiver procurando por informações. A única pista que os jogadores conseguem é que D’ekell Larson, um tiefling rogue que costuma dar as caras numa das tavernas da cidade.

Só que D’ekell é um jogador inveterado, e em seus jogos ele faz apostas altas — com almas. Ele pode estar trabalhando para as forças inimigas, ou ser um agente de uma força oposta, mas de qualquer maneira ele não fornecerá as informações que tem facilmente. Para isso, eles deverão jogar contra o profissional das cartas (ou dados, dominós, ossos ou o que você quiser, é só adaptar), que tem fama de nunca ter perdido. E o preço para jogar, é a alma de um dos PCs (ou NPC, se for o caso).

Skill Challenge de Nível +3

Complexidade: 4 (10 sucessos antes de três falhas)

Objetivo: Vencer D’ekell num jogo de Dragon’s Bluff (que pode ter a forma que você quiser, mas iremos supor cartas, algo similar ao pôquer) tirando todas fichas do Tiefling, e com isso conseguindo as informações necessárias.

Um dos jogadores será o oponente de D’ekell, mas os outros PCs devem ajudá-lo com dicas, sugestões e análise. D’ekell confia em suas habilidades e não irá reclamar. Se os PCs falharem no Skill Challenge, o personagem que apostou sua alma irá ver seu rosto aparecendo em uma das fichas de D’ekell, e não poderá mais ser alvo de Raise Dead e similares, além de sofrer qualquer outra penalidade que o DM julgar interessante para a campanha. Lembre-se de descrever as fichas do tiefling com os rostos de suas vítimas anteriores!

Uma informação pertinente sobre esse poder de coletar almas: ele é intrínseco à ganhar e perder no jogo Dragon’s Bluff. Ou seja, a única maneira de libertar as almas presas é vencendo D’ekell. Matá-lo não irá libertar as almas. Da mesma forma, intimidação e tortura não funcionarão contra o tiefling. O uso de rituais de divinação irá fornecer a informação de que somente vencer no jogo irá funcionar.

Mãos

D’ekell sempre dá as cartas.

Logo depois do primeiro teste de perícia, e para cada sucesso ou falha do skill challenge, role 1d6. Tirando de 1-3 indica que D’ekell deu uma mão ruim (na visão dele), o que significa +2 para o próximo teste dos jogadores. De 4-6 D’ekell deu as cartas direito, e os PCs terão -2 no próximo teste. D’ekell começa com +1 nessa rolada de 1d6. Role esse d6 escondido (ou não explique o que é).

A partir da primeira mão, os jogadores podem tentar esconder cartas para usar nas próximas rodadas. Um teste Moderado de Thievery dá -1 na rolada de 1d6. Se falhar, D’ekell percebe, congratula o jogador pela audácia, e dá novamente as cartas sem testes para os PCs. D’ekell sempre rouba, por isso ele sempre tem +1 na rolada. Um teste de Percepção Difícil +2 faz com que você perceba e aponte o roubo. Se D’ekell for pego roubando, ele acha graça e dá as cartas novamente sem o bônus de +1 (nessa rodada).

“All-in”

Em qualquer momento, os PCs podem apostar tudo de uma vez, colocando “All-in”. Se ainda não houve nenhuma falha, eles irão definir o resultado da Skill Challenge no próximo teste. Aumente a dificuldade do próximo teste em dois, por conta da pressão de uma jogada tão arriscada. Se os jogadores falharem, eles perdem o Skill Challenge, se ganharem, vencem automaticamente.

Se os PCs já tiverem uma falha, a falha indica a falha no Skill Challenge também, mas um sucesso indica o equivalente a seis sucessos, e não vitória automática.

Se os PCs já tiverem duas falhas, eles não tem mais a opção de “All-in”.

Testes

Perícias Principais (São as perícias principais que contam para o sucesso e falha. Não se usa Aid Another nesses testes, para algo similar veja as perícias de suporte abaixo)

  • Bluff (DC Difícil): Você blefa, e leva. Um sucesso.
  • Bluff (DC Difícil +4, antes de ter três sucessos): Aproveitando que D’ekell não conhece seu jogo, você o coloca numa cilada. Conta como dois sucessos.
  • Intimidate (DC Difícil): Você contra balanceira o jogo de D’ekell com um jogo agressivo e brutal, pegando o tiefling de surpresa. Um sucesso.
  • Insight (DC Difícil): Você consegue, por um momento, ler na face de De’kell a força de sua mão. Só pode ser usada depois de ter pelo menos dois sucessos. Conta um sucesso.

Perícias de suporte (Essas perícias dão suporte ao jogador principal. Somente duas perícias de suporte podem ser usadas em cada mão)

  • Diplomacy (DC Moderado): Com elogios, você distrai o crupiê. Um sucesso dá um bônus de +1 na rolada principal.
  • Thievery (DC Moderado): Com um movimento rápido, uma carta vai pra debaixo da mesa. Um sucesso dá um bônus de +1 na próxima rolada de Bluff.
  • Perception (DC Moderado): Você percebe o tipo de mão De’kell está jogando baseado no que já jogou, e formula uma estratégia. Um sucesso dá um bônus de +1 na próxima rolada de Intimidate ou Bluff, mas não pode ser utilizado na primeira mão.
  • History (DC Difícil, somente uma tentativa): Você se recorda de ter lido as regras desse jogo em algum lugar, e as usa a seu favor. Um sucesso dá um bônus de +1 para todas as roladas de perícia desse Skill Challenge.
  • Religion (DC Difícil, ou DC Moderada para seguidores da Raven Queen ou outra divindade da sorte, um sucesso no máximo): Incerto sobre as jogadas, você ora aos deuses da sorte. Um sucesso dá um bônus de +2 para a próxima rolada de Bluff, Intimidate, ou Insight.
  • Insight (DC Moderada, máximo de três sucessos): De’kell acha que você é só um lacaio, e não se esforça para esconder seu jogo tão bem como deveria. Sucessos dão um bônus de +2 para o jogador principal em testes de Insight.

Como usar esse Skill Challenge

Eu recomendo você explicar as regras gerais de como vai funcionar o desafio para seus personagens, assim eles podem formular uma estratégia, principalmente quem irá ser o PC principal (e colocar sua alma na mesa!) e se eles devem usar a opção de “All-In”. Uma descrição razoável do jogador de como o seu personagem irá usar as suas perícias permite o seu uso normal, mas penalize os jogadores com -2 na rolada se as descrições forem superficiais (“Eu rolo Bluff!”, por exemplo). Você também pode dar um bônus de até +2 se a descrição for particularmente inspirada e animar a mesa.

Se esforce para envolver todos no jogo, e saliente que o PC principal pode perder sua alma a qualquer momento, especialmente se seus companheiros não o ajudar. Faça o roleplay de De’kell de maneira a escrotizar seus jogadores, isso fara a vitória muito mais saborosa. Deixe dois jogadores jogarem perícias de suporte por vez, mas vá alternando esses jogadores.

Ah, e não posso esquecer do link para o original no At-Will! De novo, peço que se vocês usarem esse Skill Challenge na aventura de vocês, deixem aqui o seu comentário de como foi. Boa semana e Rolem 20!

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Links 2 – Sortidos!

TieflingMais um domingo de links e dicas para os visitantes do Rolando 20!

Rolem 20 e até segunda-feira!

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Implementos

Mago com OrbOlá Pessoal,

Aproveitando o podcast de ontem sobre o mago, e esse feriado desperdiçado, gostaria de saber de nossos leitores qual o implemento favorito de vocês que os Wizards usam. Não estamos contando ainda implementos opcionais ou de outras classes. Como falei no podcast, gosto de Staff por causa do AC, e o Davi é particularmente fã do Orbe.

Claro que quando você começa a inspecionar os implementos mágicos (Player’s Handbook 242, 241 e 238 para Wands, Staff e Orbes, respectivamente), a coisa muda um pouco de figura, e fica ainda mais legal.

E vocês?

Qual o seu implemento mágico favorito?

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Comentem suas experiências com os implementos também! E rolem 20 (com +1d6 de dano crítico!)!

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Podcast Rolando 20 – Episódio 7 – Wizard

Logo Episódio 7Olá Jogadores e DMs! Essa semana Daniel Anand e Davi Salles falam tudo o que você queria (e não queria) saber sobre o exclusivo Controller do Player’s Handbook: o Wizard. Além de comentar as notícias e posts da semana.

Estamos querendo deixar fixo o intervalo entre os casts, e vimos que não conseguiremos produzir semanalmente. Então o Podcast Rolando 20 será quinzenal tentativamente. Esperem o próximo episódio para o dia 28.

Links desse episódio

Soundtrack

  • City of Sails – Midnight Syndicate, Nosso Tema de Abertura!
  • Craft of the Wizard – Midnight Syndicate
  • The Mage Tower – Jeremy Soule
  • The Ruins of Ulcaster – Michael Hoenig
  • Hogwarts Forever!/The Moving Stairs – Jonh Williams
  • Prision of Difficulties – D&D Shadow Over Mystar
  • Tales of a Jedi Knight – Star Wars – Jonh Williams
  • I’m not a hero – The Dark Knight – Hans Zimmerman
  • Robocop Main Theme
  • Warrior’s Awakening – Shinning Force OST – Motoaki Tekenouchi
  • End Credits – Serenity OST – David Newman
  • Lord of the Rings – Stratovarious
  • Fanfarre – Capcom D&D Shadow Over Mystara, nosso tema de encerramento.

Lembrem-se de deixar comentários, críticas e sugestões sobre o episódio, que são muito importantes! Se tiver uma sugestão de assunto, gostaríamos de ouvir também! Você pode também mandar um e-mail, ou mesmo uma mensagem de voz: grave seu áudio e mande por e-mail.

E Rolem 20!

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Encontros significativos

Quando vi essa tabela com todos os encontros listados no Monster Manual [pdf] (tem também em xls), pensei duas coisas:

  1. Puxa, que prático!
  2. Puxa, quanto encontro besta que pode acontecer!

Todo encontro combativo deveria ter algum significado na aventura. Eu acabei de mestrar Keep on the Shadowfell, e devo confessar que cortei alguns dos encontros da aventura. Para que serve mais uma luta contra undeads ou goblins? Se você não for mover o plot adiante, introduzir um novo NPC ou problema, ou algo parecido, você só está enchendo lingüiça da campanha.

Claro, se seus jogadores é daqueles fãs de combate, e todo mundo acha bacana seguir a planilha lá do começo do início ao fim (o que o Greywulf calculou direitinho), mande bala. Isso significa um total de 3.161.840 pontos de experiência.  Ou 632.368 cada (num grupo de 5 jogadores), fazendo cada PC nível 27, sem contar quests ou Skill Challenges. Seria uma campanha bem bizarra, se é que podemos chamar de campanha esse campeonato de D&D Skirmishes! :)

Agora, se seus jogadores preferem algo que ligue seus personagens à história da campanha, pense para que serve o encontro. Se seu objetivo for simplesmente gastar recursos (healing surges, ou dinheiro) dos personagens, considere um encontro não combativo. Senão, pense em como esse encontro vai se ligar às histórias dos jogadores e da campanha. Às vezes, você só precisa colocar o símbolo do seu BBEG na roupa dos oponentes, outras vezes você vai precisar de salvar algum NPC (um clérigo que ajuda o grupo? Uma nobre insuportável? O filho do vilão?), ou pode simplesmente introduzir algo memorável para os PCs. Por exemplo, os oponentes podiam ter cavalos de qualidade excepcional, mas estavam sem maltratados. Os PCs agora tem montarias que eles se lembrarão de onde vieram, e não um pangaré da cidade do meio do caminho.

A fórmula de um bom encontro (roubado do treasure tables): desafio (combate, social, charada, o que seja) + elemento único (NPC memorável, localidade maneira, tals) + avançar mesmo se o grupo falhar (mesmo que com penalidades). Isso funciona para encontros comabativos e não combativos. Por exemplo, o seu encontro pode ser um grupo de bandidos (o desafio) lutando numa ponte de cordas (o elemento único), e se o grupo falhar eles cortam a ponte e eles caem no rio, cansados, com dano, mas próximos do templo de Vecna (avançando o plot).

Resumindo, todo combate deveria ser memorável. Recomendo esse artigo do Rich Redman, desenvolvendo Encontros, a edição 404 do Roleplaying Tips e esse artigo do DungeonMastering (leia os comentários). De qualquer maneira, não deixe os encontros combativos tomarem todo o tempo da sessão. Use folhas de resumo de combate [pdf], use power cards. E aproveite para fazer o role-play do seu PC mesmo em combate.

E, claro, rolem 20!

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